Autoestima, é possível cultivá-la em meio à pandemia?

Atualizado: Mai 19


Esta semana a convite da jornalista Priscilla Cerqueira, tive a alegria de compartilhar algumas dicas para cultivar a autoestima em meio a pandemia, em uma entrevista concedida para o caderno Família, do Portal Comunhão. Confira a seguir:

Perdas, isolamento, o medo do futuro geram sofrimento psicológico e afetam a autoestima. Mesmo assim, especialistas afirmam que é possível sim, cultivar o amor próprio. Por Priscilla Cerqueira

Já parou para pensar como está a sua autoestima? O que tem te abalado? Estamos passando por um momento histórico, com dias isolados, ansiedade a mil, desânimo. Afinal, a pandemia já dura há mais de um ano e os dias continuam sendo difíceis. Não está sendo fácil ficar isolado de quem gostamos. Tudo isso acaba afetando a nossa autoestima. Ainda mais as mulheres que andam enfrentando a tripla jornada. “Se não temos autoestima, a nossa capacidade de obter os resultados que desejamos será comprometida, em meio a situações adversas, quando tendemos a nos sentirmos mais limitados e vulneráveis”, afirma a Terapeuta Integrativa, Carla Rabetti.

Assim, a percepção de nós mesmos a partir de nossos modos de agir e pensar é o que gera sentimentos de inferioridade ou superioridade, autocrítica, autocensura, narcisismo ou egoísmo. Todas essas características influenciam diretamente em nossas experiências, no bem-estar e na nossa qualidade de vida. Carla, que também atua como Life Coach há sete anos, criadora do Jornada Mulher Autêntica, membro da Igreja Batista Água Branca, em São Paulo, afirma que é possível elevar o amor próprio. A dica é dedicar tempo a leitura da Bíblia e fazer como o Rei Davi: “trazer a memória lembranças positivas, também pode ser chamado de gratidão”. Além disso, a especialista ainda lembra que a igreja tem o papel fundamental de ajudar na autoestima de seus membros, “pois nos lembra quem nós somos e resgata em nós a identidade de filhos de Deus”. Confira a entrevista exclusiva à Comunhão!

Comunhão – A autoestima pode afetar nossos resultados diante da adversidade? Carla – Quando falamos sobre autoestima, existe um senso comum que relaciona este tema a aceitação física e estética, sem dúvida, aceitar e amar quem somos fisicamente é uma parte importante da autoestima, mas, esta é apenas a “ponta do iceberg”. Existem questões mais profundas que precisam ser avaliadas quando o assunto é autoestima e que por vezes ignoramos. Gosto da definição do dicionário Aulete Digital, que define autoestima como uma qualidade ou condição psicológica de quem está satisfeito consigo mesmo e demonstra confiança no próprio modo de ser e de agir, AMOR-PRÓPRIO. Veja, de acordo com esta definição, temos dentro do tema autoestima, a questão da identidade – quem acreditamos ser e o quanto nos avaliamos positivamente, e a questão da capacidade – aquilo que julgamos ser capazes de realizar ou conquistar. Eu adicionaria ainda, a questão do merecimento, muitos de nós têm uma visão positiva de si e acredita ser capaz de realizar, no entanto, tem dificuldade em acreditar que merecem grandes conquistas e este também tende a ser um fator limitante que nos conduz a processos de autossabotagem. Portanto, podemos sim dizer que se não temos autoestima, a nossa capacidade de obter os resultados que desejamos será comprometida, em especial, em meio a situações adversas, quando tendemos a nos sentirmos mais limitados e vulneráveis.

É possível cultivar a autoestima em meio à pandemia? Como? Gosto muito de uma citação bíblica de Lamentações 3:21a , em que o profeta Jeremias declara: Quero trazer à memória o que me pode dar esperança! Em momentos desafiadores, nos conectamos aos nossos medos e isto nos conduz a experimentar ansiedade, tristeza, desanimo e outros sentimentos negativos e paralisantes. Precisamos aprender a usar nossa memória a nosso favor, acessando lembranças positivas de outras situações desafiadoras que fomos capazes de superar, de nossas conquistas e capacidades pessoais, precisamos alimentar os nossos pensamentos com aquilo que nos fortalece e isto envolve escolher com critério aquilo que assistimos, ouvimos e lemos. É importante manter-se informado, mas, não é necessário alimentar sua mente apenas com o caos, dedique tempo a leitura bíblica, leia bons livros, ouças músicas que despertem bons sentimentos, assista bons filmes. Este é um bom momento, para olhar os antigos álbuns de foto, relembrar momentos especiais e resgatar sentimentos positivos que te empoderam. Se observarmos o livro dos Salmos, veremos que o rei Davi fazia isto com muita frequência, em seus Salmos, muitas vezes ele narra a sua angústia clamando pela intervenção de Deus, mas, em seguida, ele declara os feitos de Deus desde os tempos dos seus antepassados, até sua trajetória pessoal e isto o mantém conectado a sua fé e esperança, a convicção de que o mesmo Deus que os guardou no passado, o guarda agora. Este hábito, de trazer a memória lembranças positivas, também pode ser chamado de gratidão. A gratidão é uma ferramenta incrível de conexão com emoções positivas e tem um grande potencial de ampliar a nossa autoestima. Então, uma segunda dica é lembrar-se diariamente de agradecer, ao fazer isto, você foca o seu olhar nas pequenas dádivas que estão presentes mesmo em meio a todo o caos e isto renova a sua esperança em sua capacidade de superar este momento de dor.


Nunca a igreja foi tão requisitada como neste momento. De que forma e como ela pode contribuir para elevar a autoestima de seus membros que estão desgastados e muitas vezes até deprimidos por conta desse momento?

A igreja é este local onde somos lembrados da verdade, onde nos desconectados daquilo que é efêmero, e nos conectamos ao que nos transcende, ao Eterno. Enxergo na igreja, o papel fundamental de nos lembrar de quem nós somos, de resgatar em nós esta identidade de filhos de Deus. Ao longo de nossa jornada nesta Terra, ficamos muito confusos em relação a nossa identidade, nos distraímos com muitas coisas, hora acreditamos sermos os títulos que conquistamos, hora acreditamos que nossa aparência ou nossas realizações nos definem, mas tudo isto é efêmero, é frágil, pode ser tomado de nós. No entanto, existe algo que é imutável, o sopro do Criador do Universo nos deu vida e seu Espírito age em nós, de modo que, ainda que tudo que parece definir a nossa identidade seja retirado de nós, nada disto é quem somos de verdade, porque na verdade, nós transcendemos, somos eternos e estamos aqui de passagem, representando o nosso Pai com honra, em nossos atos, mas apenas de passagem. E o papel da igreja, sem dúvida, é ser esta “atalaia” dissipando em nossa crise a grande mensagem de esperança que nos faz lembrar de tudo que transcende as limitações deste mundo e as nossas limitações pessoais. Porquanto, ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja vacas, todavia, eu me alegrarei no Senhor, exultarei no Deus da minha salvação. Jeová, o Senhor é a minha força, e fará os meus pés como os das cervas, e me fará andar sobre as minhas alturas. _ Habacuque 3:17-19


No caso das mulheres, que neste período de pandemia tem enfrentado tripla jornada, como passar por esse momento de forma que a mente seja blindada por pensamentos positivos e que as dificuldades não interfiram em sua jornada espiritual e física?

Nós mulheres, temos a tendência de acreditar que somos responsáveis por fazer que todos se sintam felizes e satisfeitos e por vezes temos dificuldade em dizer não e acabamos assumindo mais compromissos do que podemos dar conta. Então, a palavra de ordem é “delegue”. É importante definir quais são as prioridades, dedicar um tempo a planejar o dia e principalmente identificar aquilo que pode ser delegado, dividindo tarefas e responsabilidades com a família. E neste processo de dividir tarefas, é importante renunciar ao controle e ao perfeccionismo, compreendendo que as coisas talvez não saiam exatamente como você planejou, talvez a louça não seja guardada no mesmo lugar que você costumava guardar sempre, talvez a cama não fique arrumada do jeito como você idealizou, mas, pode ser interessante abrir mão de uma arrumação perfeita da casa para ter mais tempo de qualidade em família, tempo para o descanso e para as práticas espirituais. Comece fazendo uma reunião de família, conversem claramente sobre todas as demandas, e negociem em equipe quais tarefas cada um pode assumir, inclua as crianças nas divisões de tarefas compatíveis com a idade deles, abra espaço para o marido participar e seja paciente com este processo de adaptação e aprendizagem que todos irão experimentar em conjunto.


Quais as dicas para ficar bem com o próprio corpo e elevar o amor-próprio?

O corpo é a nossa conexão com o presente e ter momentos de autocuidado e relaxamento, em que exploramos os diferentes sentidos é extremamente positivo para nossa saúde física e emocional. Tomar banhos quentinhos antes de dormir, com aromas agradáveis, massagear o corpo com óleos ou hidratantes, ouvir sua canção favorita, provar um alimento saboroso, ou quem sabe, fazer as unhas, arrumar o cabelo, vestir uma roupa legal… tudo isto contribui com a nossa sensação de bem-estar e relaxamento nos conectando a emoções positivas que favorecem a autoestima. Além disto, o nosso corpo precisa dos recursos naturais, todos eles são combustíveis para a nossa saúde, portanto, é importante tomar sol diariamente ou sempre que possível, manter-se hidratado bebendo pelo menos 2 litros de água por dia e adotar uma alimentação equilibrada rica em frutas e legumes. Estes hábitos irão não apenas aumentar a sua imunidade, como contribuir com o funcionamento saudável de seu corpo e mente. Por fim, a dica é não se comparar, nossa insatisfação muitas vezes tem origem no fato de não sermos como acreditamos que deveríamos ser. A mídia ditou padrões de beleza que nos fazem sentir inadequados. No entanto, nossos corpos são únicos, carregam a história genética dos que vieram antes de nós, falam sobre nossa raça, sobre nossa família, sobre nossas particularidades e nada é mais perfeito do que esta singularidade que nos compõem. Busque dar novos significados para as diferentes partes do seu corpo, em especial para aquelas que você talvez não goste tanto, observe o que ela revela sobre o seu jeito de ser, sobre sua história e seja grato por isto. Me toca muito a declaração do Salmista ao dizer …pois tu formate o meu interior, tu me teceste no seio de minha mãe. _ Salmos 139:13. Quando sentir que seu amor-próprio está abalado, traga esta declaração a sua memória e lembre-se da sua verdadeira origem divina e perfeita, e de que toda existência humana foi tecida e formada pelo Eterno Deus!


Confira a entrevista direto no portal da Revista Comunhão, clicando aqui!

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